Existem muitas pessoas que dizem não gostar de animais. Infeliz daquele que não conheceu a felicidade de ter um amigo de quatro patas. Surpreendi-me diversas vezes com as feições de aversão ao declarar a conhecidos que meus bichos de estimação são como membros da família. Seja ele um ramster, um passarinho ou um cachorro.
Um cão é o maior exemplo de companheirismo e fidelidade. E também de amor incondicional. Dá-lhe sua amizade sem pedir nada em troca. Não o abandona mesmo quando tratado aos berros e pontapés. Basta um estalar de dedos e lá estará ele, cabisbaixo, com os olhos aguados como que a pedir desculpas por algo quem talvez nem tenha feito.
Sabemos perfeitamente que não é possível viver eternamente ao lado de nossos bichos queridos. E procuramos sempre estar preparados para quando a despedida chegar. Logo, nos damos conta de que tal tentativa foi em vão. Para se nascer é preciso morrer. Quando a situação se apresenta, achamos tal mistério do Universo definitivamente injusto.
Minha cadelinha Lilica faleceu recentemente. Ontem à tarde para ser mais exato. Foram 10 anos de convivência e será impossível não recordar-me de sua presença junto à mesa no café da manhã, implorando por um pedaço de pão ou biscoito; chegar em casa e avistá-la esperando-me carinhosamente; e seus esforços em dias de festa, a fim de conseguir um pedaço de carne assada.
Posso afirmar que tive durante todos esses anos, uma valiosa companhia. Se ficasse só saudade... Ficaram também muitas boas lembranças. E um vazio. Foi como um anjo em minha vida, com patas no lugar de asas, focinho gelado e olhar de carência. Animais só podem ser anjos. Dedicam-se aos humanos tanto quanto.
Ah, se todos os humanos compreendessem a humanidade perfeita de um cão...

Meus sinceros sentimentos
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