Durante esse eterno mês de Janeiro, por diversas vezes utilizei-me da auto avaliação. Pouquíssimos os casos por obrigação, e muitos por necessidade. Busquei incessantemente uma resposta que satisfizesse um questionamento interior: Durante os últimos dias, meses e anos que se passaram, deixei mais espinhos ou perfume pelos caminhos que trilhei?
Cheguei à conclusão de que fui negligente como ser humano. Não somente para com os outros, mas também comigo. Apesar de conhecer bastante bem minhas qualidades e defeitos, não potencializei o que havia melhor e, tampouco suavizei os danos que minhas atitudes hostis poderiam causar, e causaram.
Digno de arrependimento. É fato que evitados tamanhos erros, haveria maiores lembranças de dias felizes ao sol. Fotos com as amigas. Sorrisos. Beijos apaixonados. Lágrimas de felicidade. Fofocas ao telefone. Convites de aniversários. Até mesmo mais dias tristes, pois, haveria com o que se entristecer. A saudade é o pior tormento. Lamento afirmar que não possuo alojada em meu âmago a certeza de ter me doado ao outros tanto quanto estes de doaram à mim.
Posso dizer que, de uns tempos para cá muita coisa mudou, eu mudei. Através da busca pelo conhecimento da compaixão e compreensão ao próximo, obtive ótimos resultados. Mas quando tentei justificar os meus erros através de ações e reações, cometi meus maiores erros. Fui tola quando deixei que certas reações modificassem o que eu possuía de grandioso em minha personalidade. Tola quando permiti que as pedras calejassem meus pés e os tornassem insensíveis aos caminhos da felicidade.
Refleti sobre os efeitos dos meus atos para com as pessoas que passaram pela minha vida, e nela permanecem. Perdi, conquistei e reconquistei amizades. Livres de orgulho e de egoísmo. Mas também magoei, agredi e possivelmente perdi a companhia de muitas delas. E isso me causa arrependimento. Possuímos o péssimo hábito de desprezar as pessoas enquanto achamos que elas estarão ao nosso lado para sempre. Não as incentivamos, agradecemos ou dizemos os quanto às amamos enquanto é tempo.
Bem, o que eu almejo através desta publicação é levar-lhes um pouco de reflexão. Das rosas, têm deixado mais os espinhos ou o perfume nas mãos de quem às recebe?
Para finalizar, transcrevo um parágrafo retirado do livro “Uma ética para o novo milênio” da sua Santidade, Dalai Lama, sobre a busca da felicidade. (Pag. 173).
[...] Torne o resto de sua vida tão significante quanto possível. Faça isso através da prática espiritual, se puder. Não há nada misterioso nisso. Consiste apenas em agir levando os outros em consideração. E se você o fizer com sinceridade e persistência, pouco a pouco, passo a passo, será capaz de reordenar seus hábitos e atitudes e pensar menos em seu pequeno mundo de interesses e mais nos interesses de todas as outras pessoas. E encontrará paz e felicidade para si mesmo.

