segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Auto-avaliação


Durante esse eterno mês de Janeiro, por diversas vezes utilizei-me da auto avaliação. Pouquíssimos os casos por obrigação, e muitos por necessidade. Busquei incessantemente uma resposta que satisfizesse um questionamento interior: Durante os últimos dias, meses e anos que se passaram, deixei mais espinhos ou perfume pelos caminhos que trilhei?
Cheguei à conclusão de que fui negligente como ser humano. Não somente para com os outros, mas também comigo. Apesar de conhecer bastante bem minhas qualidades e defeitos, não potencializei o que havia melhor e, tampouco suavizei os danos que minhas atitudes hostis poderiam causar, e causaram.  
Digno de arrependimento. É fato que evitados tamanhos erros, haveria maiores lembranças de dias felizes ao sol. Fotos com as amigas. Sorrisos. Beijos apaixonados. Lágrimas de felicidade. Fofocas ao telefone. Convites de aniversários. Até mesmo mais dias tristes, pois, haveria com o que se entristecer. A saudade é o pior tormento. Lamento afirmar que não possuo alojada em meu âmago a certeza de ter me doado ao outros tanto quanto estes de doaram à mim.  
Posso dizer que, de uns tempos para cá muita coisa mudou, eu mudei. Através da busca pelo conhecimento da compaixão e compreensão ao próximo, obtive ótimos resultados. Mas quando tentei justificar os meus erros através de ações e reações, cometi meus maiores erros. Fui tola quando deixei que certas reações modificassem o que eu possuía de grandioso em minha personalidade. Tola quando permiti que as pedras calejassem meus pés e os tornassem insensíveis aos caminhos da felicidade.
Refleti sobre os efeitos dos meus atos para com as pessoas que passaram pela minha vida, e nela permanecem. Perdi, conquistei e reconquistei amizades. Livres de orgulho e de egoísmo. Mas também magoei, agredi e possivelmente perdi a companhia de muitas delas. E isso me causa arrependimento. Possuímos o péssimo hábito de desprezar as pessoas enquanto achamos que elas estarão ao nosso lado para sempre. Não as incentivamos, agradecemos ou dizemos os quanto às amamos enquanto é tempo.
Bem, o que eu almejo através desta publicação é levar-lhes um pouco de reflexão. Das rosas, têm deixado mais os espinhos ou o perfume nas mãos de quem às recebe?
Para finalizar, transcrevo um parágrafo retirado do livro “Uma ética para o novo milênio” da sua Santidade, Dalai Lama, sobre a busca da felicidade. (Pag. 173).
[...] Torne o resto de sua vida tão significante quanto possível. Faça isso através da prática espiritual, se puder. Não há nada misterioso nisso. Consiste apenas em agir levando os outros em consideração. E se você o fizer com sinceridade e persistência, pouco a pouco, passo a passo, será capaz de reordenar seus hábitos e atitudes e pensar menos em seu pequeno mundo de interesses e mais nos interesses de todas as outras pessoas. E encontrará paz e felicidade para si mesmo.

domingo, 2 de janeiro de 2011

Em um abraço o conforto


A idéia de criar um blog ocorreu-me exatamente na data de hoje, enquanto observava as brancas nuvens ao voltar do Rio de Janeiro. Sabem essas idéias malucas que surgem não sabemos de onde e tampouco para onde vão? Então, foi isso. O fato é que, no trajeto Copacabana - Aeroporto, algo imensamente significativo me ocorreu. Como um pouco de mistério não faz mal a ninguém, aliás, até enriquecem a narrativa, relatar-lhes-ei um pouco sobre a viagem, sobre a virada de ano, e principalmente, sobre a minha experiência de conhecer a tal cidade maravilhosa pela primeira vez.
Definitivamente viajar no dia 25 foi a escolha certa. Trânsito quase nenhum, clima agradável e lojas de conveniencias e postos de gasolina funcionando em sua normalidade. Reserva em um confortável hotel em Sete Lagoas, com direito a passeio e uma parada para uma cerveja gelada, além de uma boa noite de sono e descanso para no dia seguinte seguir para o destino almejado. A estrada mostrou-se muitíssimo atraente, com seus morros, subidas, descidas, e constantes paisagens verdejantes cortadas em alguns trechos por cidadezinhas.
Enfim, Rio! Não consigo descrever de maneira sucinta qual é a visão que tive ao entrar em solo carioca, apenas visualizava um grande amigo, Saulo, declarando seu amor pela cidade. Não demorou para que eu percebesse o motivo de tanta paixão. Ruas repletas de homens, mulheres, gays (e esses em grandes quantidades) crianças e idosos. Semi nus. Livres do aprisonamento das calças jeans e sapatos de salto alto. Não posso deixar, também, de mencionar os turistas estrangeiros (italianos, latinos, americanos e europeus). Todos, ou quase todos, de notável beleza.
Foi com enorme prazer que visitei o Theatro Municipal, e por acaso (e que belíssimo acaso) assisti a apresentação e exposição dos painéis Guerra e Paz, pintados por Portinari para decorar a sede da ONU. Confesso, chorei. Escondidinho, mas chorei. Conheci também a Biblioteca Nacional. Não faltou a caminhada no calçadão de Copabana. Como também não faltou um "caldo" no mar de Ipanema.
Dia 31, contagem regressiva nas areias de Copacaba, 5, 4, 3, 2, 1! Ajoelhei-me para melhor apreciar a queima de fogos. Verdes, dourados, vermelhos, prateados...irrompiam deslumbrantemente no céu. Yemanjá que me perdoe, mas não lhe ofereci flor alguma. Bem que eu queria mas por algum desleixo não o fiz. Neste exato momento, meus pensamentos iam e vinham ao sabor das marés.
Quanto ao primeiro dia do ano, apreciei camarões e diversas devassas. Calma, não é nada do que estão pensando, e sim, cervejas devassa (sarará, ruiva e negra). Senti um certo tesão pela negra.
O Rio de Janeiro continua lindo.
Mais uma vez compreendi que o ideal é viver um dia de cada vez, como se fosse o último. O meus dias não se seguiram como os havia planejado. Despedidas são sempre tristes. Como cantou Maria Rita: "São só dois lados da mesma viagem. O trem que chega é o mesmo da partida. A hora do encontro é também da despedida. É a vida".
E na nostalgia em que eu seguia rumo ao aeroporto, eis que o Cristo Redentor surgiu majestoso pela janela do táxi, ele que se negou relutantemente a me dar o ar da graça durante toda a semana que se seguiu. Seus braços completamente abertos, como que a espera de um grande amigo qual não via a vários anos. Não sei, eu não sou religiosa. Mas nessa hora eu pude sentir um abraço confortante e um sussurro a me dizer que tudo ficará bem. Fosse talvez o desejo de que tudo assim se desenrole ou talvez um fiozinho de fé naquilo que eu nem acredito.

Agradeço a todos que me possibilitaram aproveitar essa oportunidade: o chefe que me adiantou alguns dias de férias, a colega de trabalho que aceitou generosamente me substituir durante esses dias, e a minha mãe que, mesmo na correria de fim de ano me acompanhou na escolha de um vestido para o reveillon. Mas acima de tudo, a alguém muito especial que planejou e tornou tudo isso possível.

Feliz 2011!